Família do-ré-mi-fá

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O pediatra do Eric tem uma vantagem que considero um baita diferencial. Numa emergência, posso levar meu filho de 2ª a 6ª em seu consultório – manhã, tarde ou noite. Sensacional, não?

Não, o pediatra não é um superman. É que ele divide o consultório com a esposa, que também é pediatra. E ambos estão sempre dispostos a atender os pacientes do outro, em caso de necessidade.

Já liguei pro celular do Dr. Jorge em horários pouco convenientes. A esposa dele atendia e, no caso do marido estar dirigindo, dormindo ou etc, ela mesma me ouvia e medicava o Eric.

Mas, até então, nunca precisei levá-lo ao consultório nos dias da Dra Fátima. Até esta semana.
Eric precisava tomar duas vacinas particulares (Prevenar e Penta – que não têm na rede pública) e o único dia em que eu podia levá-lo era na sexta. Sendo assim, a Dra Fátima é quem aplicaria as vacinas. Ok. Finalmente iria conhecer “a backup” do meu pediatra – muito bem cotada, inclusive, no conceito da mãe da Sofia, a Raquel.

Eric encontrou muitos amiguinhos de sua idade na sala de espera e brincou a valer, sem nem suspeitar do que vinha a seguir.
Já no consultório, levou as duas impiedosas picadas, uma em cada perninha, e chorou horrores. Pra distraí-lo resolvi aplicar a eficiente tática do biscoito de polvilho. E dei um pacotinho pra ele se concentrar no biscoito e não na dorzinha. Enquanto isso, íamos tirando a roupinha dele pra ser medido e pesado.

Mas a vingança tarda, mas não falha, não é mesmo? E bacurizinho, munido agora de armas, resolveu se vingar. Levantou e sacudiu loucamente o pacote de biscoito, polvilhando o consultório inteiro, e finalizou com uma grande mijada no chão pra fazer a “liga” do polvilho no xixi.
A secretária teve que ser acionada correndo, com vassoura e pano de chão. E eu não sabia onde enfiar minha cara. Tirei o resto do pacote da mão do Eric, enqto o vestia, pedia mil desculpas e ia saindo do consultório.
Mas Eric não parou por aí. Frustrado com a perda do biscoito, começou a berrar incontrolavelmente. Foi ficando vermelho, roxo e atingindo decibéis cada vez mais altos. Ao avistar os bebês que esperavam do lado de fora, berrou mais forte ainda, como quem quer passar um recado: “Galera, não entre aí, esta mulher é assassina!”  E todas as crianças começaram a chorar também, assustadas e amuadas no colo das mães, enqto a doutora Fátima afirmava a todos (mães e bebês) que seu consultório não era uma sala de tortura, que ela não fez maldades com o Eric e que ele estava era um pouco abalado pela perda do seu pacote de biscoito.
Não sei se colou. Não sei se a próxima criança teve coragem de entrar. Não fiquei pra ver.
Imagino apenas que a Dra Fátima não queira mais vê-lo nem pintado de preto. E que, naquela noite, deitada ao lado do marido, ela tenha dito: “Atendo qualquer um dos seus pacientes, menos aquele menino Eric. combinado?”

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  • João Lopes: Silvia (permita-me chamá-la assim), eu não conhecia as coisas lindas (filosóficas de precisão!) que escreve, porém, depois de receber um e-mail d
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